O que eu quero é falar sobre o que não necessita da presença, talvez nem até mesmo de palavras.
É um sentimento transparente do qual pouco se fala porque não necessita ser dito. Ele simplesmente existe, como o amor, a amizade, a saudade.
É uma outra forma de presença, de estar junto. Quero falar isso dos meus pais, agora. Vocês, sem estar aqui, tornam-se presentes. Não apenas neste instante ou nesse lugar. Vocês estão comigo neste instante onde quer que eu esteja, fazendo sei lá o que.
É uma presença que a gente conquista sem perceber, cresce no silêncio, durante anos ou por poucos segundos, quando você lembra de momentos em que estava com essa ou essas pessoas ali do lado, falando alguma coisa, ou nada.
Das poucas conquistas que eu consegui, nesse tempo de vida, ela é a das mais belas, porque parece indestrutível, eterna, simples.
Posso estar distraído na rua e de repente sentir uma sensação estranha, de estar sendo seguido ou coisa parecida. Mas se eu prestar atenção posso perceber a presença de vocês me acompanhando, lado a lado.
Sem conselhos, brigas, repreensões ou qualquer coisa específica.
Não é uma coisa indefinida, como um rápido olhar, uma despedida.
É isso. Eu vou embora e vocês continuam comigo, de alguma forma.
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