domingo, agosto 08, 2010
Loucura de mim mesmo
Me acabo repetindo a mim mesmo. Me exponho escrevendo um texto que já conheço. Nesse desespero acho que não me acho, me repito de propósito em cada trecho. Me quebro em pedaços do mesmo brinquedo, querendo ser outro inteiro. Vibra assim a palavra dentro de mim, até que eu fale, até que eu esqueça, até que eu passe. Meu limite é voltar ao final pelo começo, repetindo o que eu sabia desde o começo. Morro de vontade de falar o que não escrevo. De qualquer forma me jogo, e caio, um suicídio lento dentro de mim mesmo. Ouço a voz e a queda do texto murmurando as palavras que já não me cabem. Me repito, me conheço, me estranho, quanto mais me esvazio, mais enlouqueço.
terça-feira, agosto 03, 2010
TROCAR DE CASCA
De vez quando é preciso trocar de pele. O mais complicada aí talvez seja quebrar a própria casca. Arrancar, soltar a crosta das coisas antigas. Abrir espaço para algo novo crescer, aarrancar coisas arraigadas, duvidar de si mesmo. O que vale aí não é a dor, ou a solidão, mas a decisão. É preciso entender o vazio, ser outro, seguir outro caminho, descobrir-se outra pessoa, deixar as novas sensações e ideais virem.
Trocar de vida. Recomeçar pela pele. A percepção do mundo no ar, num vento, numa respiração. Ficar sem proteção para conseguir enxergar. Um olhar que precisa ficar embaçado para enxergar de novo. Sem pele, sem proteção. Entre o medo e a coragem, cada um de um lado da ponte. Reiniciar, sendo o mesmo, sendo outro.
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