sábado, julho 29, 2006

limites

Escrever um texto e perder. Tentar achar por diversas vezes e não encontrar. O texto foi para o vazio, mas de qualquer forma suas plavras ficaram como uma sensação: na boca, na pele, numa inquietude correndo pelo sangue.
O texto pede para ser reescrito. Por acaso o texto é sobre limites. Você refuga algumas vezes mas acaba cedendo de novo a vez à palavra. Este texto passou o limiar entre você e o nada. Ele flui novamente:
A sensação do limite, do fim, do que termina. Subir nos lugares mais altos, nas coberturas, nos terraços, por cima dos tetos, forros, pára-raios, antenas, saídas de incêndio, heliportos, tudo que habita as últimas fronteiras. Procurar o ar livre, chegar nas bordas, varandas, amuradas, grades, beirais.
Tentar ir além do que existe, dos outros e de si, de seu próprio cotidiano, de sua rotina de hábitos, de seus medos, de suas rotas estabelecidas.
Querer ultrapassar a última parte, a visível barreira, o derradeiro significado. Tudo aqui está a seu alcance, para baixo e para os lados, e você ainda quer mais, como um alpinista que não se contenta em escalar a montanha. Tudo é isso aqui e nada está aqui. Porque ainda falta, porque parece que não há mais nada novo.
Você pensa em desistir de tudo. Pessoas fazem isso e se jogam no vazio. Você entende isso. Seu estômago dói. Seu vazio o revira por dentro pra arrancar sua pele e te levar para outro mundo. Nem isso, nem trocar de pele você quer mais. Você está profundamente só. Vê o silêncio, vê as palavras correndo de novo em volta de você.
Este texto que você perdeu, foi além dos limites, e voltou, melhor , sendo o mesmo e outro.
Não importa o limite, a sensação continuará rondando sua boca.

quinta-feira, julho 20, 2006

olhos encurralados

Por trás desta aparência tranquila, desta cara com este leve ar sonso e despreocupado, existem dois globos ricocheteando dentro do crânio. Eles correm atrás dos ecos de si mesmos, com o som amplificado dos ossos, procurando um caminho, uma saída, um lugar para se fixar.
Estes olhos loucos ricocheteando aceleram um sob outro, disputando algo que nem sabem, um senso comum de vazio, um significado oculto atrás do nada. Eles buscam algo tão distante e com tanta ansiedade que não sei se existe resposta.
Algumas horas mais calmos, outras mais rápidas, eles zunem na minha cabeça. Só eu sei o que se passa aqui dentro.