Escrever um texto e perder. Tentar achar por diversas vezes e não encontrar. O texto foi para o vazio, mas de qualquer forma suas plavras ficaram como uma sensação: na boca, na pele, numa inquietude correndo pelo sangue.
O texto pede para ser reescrito. Por acaso o texto é sobre limites. Você refuga algumas vezes mas acaba cedendo de novo a vez à palavra. Este texto passou o limiar entre você e o nada. Ele flui novamente:
A sensação do limite, do fim, do que termina. Subir nos lugares mais altos, nas coberturas, nos terraços, por cima dos tetos, forros, pára-raios, antenas, saídas de incêndio, heliportos, tudo que habita as últimas fronteiras. Procurar o ar livre, chegar nas bordas, varandas, amuradas, grades, beirais.
Tentar ir além do que existe, dos outros e de si, de seu próprio cotidiano, de sua rotina de hábitos, de seus medos, de suas rotas estabelecidas.
Querer ultrapassar a última parte, a visível barreira, o derradeiro significado. Tudo aqui está a seu alcance, para baixo e para os lados, e você ainda quer mais, como um alpinista que não se contenta em escalar a montanha. Tudo é isso aqui e nada está aqui. Porque ainda falta, porque parece que não há mais nada novo.
Você pensa em desistir de tudo. Pessoas fazem isso e se jogam no vazio. Você entende isso. Seu estômago dói. Seu vazio o revira por dentro pra arrancar sua pele e te levar para outro mundo. Nem isso, nem trocar de pele você quer mais. Você está profundamente só. Vê o silêncio, vê as palavras correndo de novo em volta de você.
Este texto que você perdeu, foi além dos limites, e voltou, melhor , sendo o mesmo e outro.
Não importa o limite, a sensação continuará rondando sua boca.
Nenhum comentário:
Postar um comentário