O pequeno ritual. Não deixar a água ferver. Passar o líquido sobre o pó, lentamente. O desenho úmido e as formas inquietas da água negra. O cheiro que se espalha longe. A passagem do visual ao olfato e, por fim, ao paladar. A xícara vindo à boca prenuncia o gosto.
O ponto certo é único. Sabor, temperatura e cheiro se fundem na boca, enquanto olhamos com carinho o líquido negro que brilha sobe a luz.
Mas tudo pode falhar. Para a perfeição algo sempre pode estar fora de eixo. Faz parte da busca da forma e do gosto pleno, sob medida.
Quente demais, frio demais, forte demais, muito pó, água em excesso.
O primeiro café abre o dia com sua onda negra de sensações.
Café na boca, olho na cor, cheiro sob a narina. Instante único. Tudo ou nada. Era isso tudo ou não? Pouco, muito ou nada?
A busca da perfeição continua sempre no outro dia.
Como as coisas intensas da vida, o gosto do café fica.
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