sábado, setembro 02, 2006

ESPERA

Meu caro amigo. Você não sabe nem faz idéia do que estou ou ando fazendo mas vamos nos encontrar em breve. Eu sei disso, no meio da furacão, do tempo sempre corrido. Eu sei disso no meio da saudade, das horas angustiadas de tédio, de desencontros, gente e fatos que remetem você de volta às coisas certas da vida, às pessoas que de alguma forma compartilham espontaneamentecom você instantes reais de ser e viver, fragmentos de entendimento, sinais, reflexos, palavras e olhares de cumplicidade. Gente que sabe dizer o que você precisa ouvir, seja o que for.
Venta muito por toda a parte. No meio de tanta corrida de tempo e de acontecimentos que te atropelam, de tudo que temos para fazer e não fazemos, dos momentos sempre curtos e da falta de noção de valor de cada olhar, cada gesto, nos encontramos com a sensação de ser levados, mais que tudo, como penas ao léo de uma outra realidade, mais acelerada e dura do que podíamos imaginar.
Perdemos tempo, valor, às vezes recordamos o que ainda não fizemos na vida e ainda queremos, sonhos que correm distantes e paralelos no horizonte,
Nestas horas apenas continuamos na estrada e tudo parece pesado, cinza, lento, e persistimos caminhando com nossas obrigações, trabalhos, empregos, dívidas, compromissos. Tudo segue como antes, até esqueço.
De repente olho no relógio, e vejo, já estamos em setembro. Sorrio por nada, por ver o sol na janela, por sentir o movimento de pessoas na rua, pelo sorriso de alguém que nem conheço, pelo momento mostrando que tudo recomeça a cada instante. As folhas voam, os meses mudam, as pessoas vem e vão.
Toda espera tem em si algum tipo de encontro. Eu espero, você espera.
De algum ponto, de algum lugar, estou chegando, me aguarde.

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