quarta-feira, dezembro 20, 2006

MULTIDAO

Multidão sou eu. Eles estão aí dentro de mim e fica difícil negá-los. Eu sou esses todos, e mal sei disso. Demoro para entender tantos pensamentos de seres estranhos na minha cabeça. Quase perco o controle, vertigem de mim mesmo. As vozes e vontades se espalham por todo o lado. Perco a noção de quem sou verdadeiramente. Neste labirinto de caminhos e sensações procuro o ser que aparentemente vinha vencendo esta batalha. Nestas horas tudo pode se confundir. A mente pensa demais, liquidifica a realidade e você fica tonto. Não agir pode ser um equivoco. Ignorar pode ser falta de consideração. Insistir pode ser o fim, desistir pode ser retroceder. Perdido na multidão você procura ouvir as batidas de seu coração, procurando entre tantas sombras. Sou muitos e tenho medo deles. São loucos, são egoístas, são santos, são ignorantes. A multidão é você, gritam eles em coro. Eles parecem rir e zombar da situação.   Nem sei como, fico batendo pelas paredes e acabo ficando completamente extenuado, junto coma dor de cabeça eles vão sumindo aos poucos. Eu sou este zoológico dividido em pedaços, andando por ai com a cara espantada de quem tenta parecer normal. Não joguem pipoca para os animais.

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