*
eu sou meio cabeça de vidro. vejo todo meu corpo, menos meu olhos. eles correm para espelhos. lá posso encontrá-los.
minhas costas se escondem. minha pele suspira e chia.
meu coração pula num chão inexistente.
meu corpo é minha sombra.
**
tem certas coisas que você ouve e parece não entender na hora. acena com a cabeça mas desconhece o que está ouvindo. leva dias, anos e talvez nunca compreenda.
isto faz parte de uma sensação de espanto com coisas que acontecem. como se eu já possuísse o conhecimento mas não pudesse alcançá-lo, precisasse de pequenos choques.
um universo interativo me irritando com a objetividade de seu caos.
com essas súbitas descobertas eu começei a sentir que a noção de tempo era inútil. segundos passavam a ser mais úteis do que meses e meses de espera.
eu não esperava mais. tudo me parecia concreto, forte, bruto, um acabamento tosco de significados, fatos previsíveis no meu caminho.
minha reta já era um caminho gasto e fictício. absurdamente mental, coerente.
isto faz parte de uma sensação de espanto com coisas que acontecem. como se eu já possuísse o conhecimento mas não pudesse alcançá-lo, precisasse de pequenos choques.
um universo interativo me irritando com a objetividade de seu caos.
com essas súbitas descobertas eu começei a sentir que a noção de tempo era inútil. segundos passavam a ser mais úteis do que meses e meses de espera.
eu não esperava mais. tudo me parecia concreto, forte, bruto, um acabamento tosco de significados, fatos previsíveis no meu caminho.
minha reta já era um caminho gasto e fictício. absurdamente mental, coerente.
eu precisava olhar para as estrelas e apenas vê-las. não fazer comparações, não implantar espelhos.
eu era melhor para pressentir a realidade dos outros.
eu era melhor para pressentir a realidade dos outros.
***
eu continuo fugindo.
nada restará além da sua vontade.
as nuvens te seguem mas a palavra é sua. sua voz é mais uma rajada de vento. mais uma respiração no meio de tantas.
voce se sente só no meio da multidão. em qualquer lugar, mesmo perto de si.
você se sente só no meio de si mesmo. podiam ser tantas vidas e você segue um rumo apenas. sendo água, o tempo todo você vive a possibilidade da areia, guardada.
desconfia do que o destino lhe impõe. da essência do desejo que o direciona. você está completamente perdido.
eu continuo fugindo.
nada restará além da sua vontade.
as nuvens te seguem mas a palavra é sua. sua voz é mais uma rajada de vento. mais uma respiração no meio de tantas.
voce se sente só no meio da multidão. em qualquer lugar, mesmo perto de si.
você se sente só no meio de si mesmo. podiam ser tantas vidas e você segue um rumo apenas. sendo água, o tempo todo você vive a possibilidade da areia, guardada.
desconfia do que o destino lhe impõe. da essência do desejo que o direciona. você está completamente perdido.
você nunca se sentiu tão leve.
****
no labirinto ouço minha própria cabeça falando claramente, lendo em voz alta.
como se me guiasse no escuro, com as mãos numa parede rugosa de pedras úmidas, em formas retangulares contínuas.
dou voltas e voltas sobre meu próprio corpo, ouço um coração pulsando longe. a respiração, o suor, o calor, tudo me envolve.
eu quero fugir daqui e não posso.
*****
eu crio formigas. a sua procura está em mim, em toda a parte.
corpo frágil correndo em disparada.
trilhas invisíveis. passos obsessivos, insistentes.
coisas inúteis, descobertas.
elas sobem no meu corpo, nos meus braços e dedos, nas folhas espalhadas sobre a mesa.
não tenho nada a dizer. elas me cercam.
todas são cegas e gesticulam. eu continuo parado.
lentamente elas abandonam os papéis e somem.
amanhã elas voltam.
elas não se cansam nunca.
******
tudo o que foi antes. sob tudo que aconteceu, busco um esquecimento. mas os rastros me perseguem e eu tento escapar. procuro chegar o mais perto possível de um limite, mas tudo é sinal de minha presença. outra pessoa, outro lugar. tudo recomeça.
não me importa o que fiz antes, não me recordo de nada, mas meu corpo continua aqui e a minha consciência carrega uma culpa de continuidade. Como se uma coisa levasse à outra, quando na verdade tudo é novo e estranho, a cada momento.
os poucos momentos de paz que encontro logo me trazem uma sensação de fuga, de coisas que aconteceram antes.
se tudo fosse forte e consistente mas minha memória guarda apenas caos e meus sentimentos se debruçam sobre um vazio, como um espaço impossível de completar.
entre o racional e o emocional de uma consciência que procura explicações para si mesma eu tento a fuga, procuro esse espaço de sensibilidade sem sujeito.
tanta gente que cruza o meu caminho e eu não sei quem sou, não sei o que estou falando com elas. O que sai da minha boca e de minha ações pode ser uma outra pessoa que desconheço profundamente.
eu continuo fugindo.
*******
as tempestades não param. elas precisam apenas passar.
meu corpo sem linguagem desvai para os cantos, erra caminhos, insiste em um outro desejo, um desespero contínuo, um galope cego.
minha mente mexe com palavras e monta quebra-cabeças inúteis. ela sobrevive mas não sorri. espremida entre ossos e carnes ela segue o caminho mas não procura mais o sentido das coisas.
retalho de sensações e lógicas mínimas, acompanho o mundo imenso como um palhaço que olha para seu público no circo e teme o próprio riso.
********
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no labirinto ouço minha própria cabeça falando claramente, lendo em voz alta.
como se me guiasse no escuro, com as mãos numa parede rugosa de pedras úmidas, em formas retangulares contínuas.
dou voltas e voltas sobre meu próprio corpo, ouço um coração pulsando longe. a respiração, o suor, o calor, tudo me envolve.
eu quero fugir daqui e não posso.
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eu crio formigas. a sua procura está em mim, em toda a parte.
corpo frágil correndo em disparada.
trilhas invisíveis. passos obsessivos, insistentes.
coisas inúteis, descobertas.
elas sobem no meu corpo, nos meus braços e dedos, nas folhas espalhadas sobre a mesa.
não tenho nada a dizer. elas me cercam.
todas são cegas e gesticulam. eu continuo parado.
lentamente elas abandonam os papéis e somem.
amanhã elas voltam.
elas não se cansam nunca.
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tudo o que foi antes. sob tudo que aconteceu, busco um esquecimento. mas os rastros me perseguem e eu tento escapar. procuro chegar o mais perto possível de um limite, mas tudo é sinal de minha presença. outra pessoa, outro lugar. tudo recomeça.
não me importa o que fiz antes, não me recordo de nada, mas meu corpo continua aqui e a minha consciência carrega uma culpa de continuidade. Como se uma coisa levasse à outra, quando na verdade tudo é novo e estranho, a cada momento.
os poucos momentos de paz que encontro logo me trazem uma sensação de fuga, de coisas que aconteceram antes.
se tudo fosse forte e consistente mas minha memória guarda apenas caos e meus sentimentos se debruçam sobre um vazio, como um espaço impossível de completar.
entre o racional e o emocional de uma consciência que procura explicações para si mesma eu tento a fuga, procuro esse espaço de sensibilidade sem sujeito.
tanta gente que cruza o meu caminho e eu não sei quem sou, não sei o que estou falando com elas. O que sai da minha boca e de minha ações pode ser uma outra pessoa que desconheço profundamente.
eu continuo fugindo.
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as tempestades não param. elas precisam apenas passar.
meu corpo sem linguagem desvai para os cantos, erra caminhos, insiste em um outro desejo, um desespero contínuo, um galope cego.
minha mente mexe com palavras e monta quebra-cabeças inúteis. ela sobrevive mas não sorri. espremida entre ossos e carnes ela segue o caminho mas não procura mais o sentido das coisas.
retalho de sensações e lógicas mínimas, acompanho o mundo imenso como um palhaço que olha para seu público no circo e teme o próprio riso.
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fui tomado por uma felicidade estúpida. o corpo disparado como um cavalo. sorrindo para o mundo, sem motivo.
ingênuo e manso como uma gota de água que se concentra antes de espatifar-se no chão em milhões de pedaços.
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deixe recados para você, no papel.
cifrados, decifrados, riscos, traços, símbolos, qualquer sinal.
tome um porre de signos, textos e vestígios.
insignificante ou significativo, tudo respira.
**********
esqueço aonde começo a sonhar. e um sonho atrás do outro faz com que eu esqueça da porta de onde vim.
esqueço aonde começo a sonhar. e um sonho atrás do outro faz com que eu esqueça da porta de onde vim.
estou cercado por desejos e ansiedade. meu coração dispara insone, desesperado.
ele não quer mais voltar ao começo. posso morrer a qualquer instante, fora da realidade.
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você vai andar pelo lugar comum. as coisas que fazem parte do seu mundo, seus limites, sua ética, sua impossibilidade, sua fraqueza, sua ignorância.
quanto mais preso você estiver a tudo isto que te aprisiona, mais perdido você estará.
seu único alento é o vazio que te cerca.
************eu não sou tão forte quanto você pensa.
escondido aqui, atrás da minha cara, eu vejo a caravana passar, os cães e a poeira voando sobre o vento, que demora para assentar.
você pode chegar um dia e não me encontrar mais.
não porque eu não queira ou não possa ou qualquer outro motivo específico.
talvez eu simplesmente me perca na rua, ou esmague a cabeça contra a parede, tentando achar alguma coisa dentro.
eu posso olhar para uma janela e ver trinta anos passar num segundo.
o mundo vai continuar do jeito que está. e eu vou continuar agindo assim, em certos momentos , mantendo um olhar abobalhado , distráido, de quem de certa forma perdeu a memória do que procura.
eu preciso ser atropelado qualquer dia desses. só assim vou conseguir sobreviver.
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